quarta-feira, 5 de março de 2014

COMUNICAÇÃO SURDO-MUDO ALÉM DAS APARÊNCIAS

Há muito se discute a real integração da comunicação de surdos-mudos com o restante da população, mas na prática pouco se faz a favor dessa situação. Em dezembro do ano passado tivemos a repercussão mundial da cena desrespeitosa do tradutor, até então considerado farsante, durante o velório de um dos grandes nomes da África do Sul, Nelson Mandela. Diversas mensagens de indignação foram postadas em redes sociais, veículos de comunicação do mundo todo comentando, mas sem uma análise profunda do que gera esse tipo de constrangimento tanto para a comunidade surdo-muda quanto para os profissionais da área.

No Brasil, durante os protestos que movimentaram os quatro cantos do país a nossa atual presidente, Dilma Rousseff, realizou um discurso de quase 10 minutos sem oferecer a oportunidade de entendimento àqueles que não podem ouvir. Por isso, devemos nos atentar a essa necessidade e perceber quais as oportunidades de inclusão, em diversos setores, cenários e circunstâncias que estão sendo deixadas para trás.

De acordo com Amanda Pimentel, gerente comercial da Porto Traduções, ainda existe muitos degraus a subirmos no mercado de interpretação de Libras, mesmo com imenso potencial. “Estamos em um tempo cuja sociedade tem se movimentado cada vez mais a favor de pessoas ou grupos com, até então, menos poder de decisão e que teremos mais e mais debates e reais modificações”, pontua Amanda.

A executiva ainda aponta que esse potencial não é por acaso. De acordo com o IBGE, o país possui cerca de 10 milhões de surdos. O que nos faz pensar que a integração dessa comunicação, de forma real e prática, não gera somente um país mais inclusivo, mas também um fortalecimento econômico.

“O ser humano tem a tendência de separar as atitudes que geram resultados inclusivos e positivos das que geram lucros. Por que separar? Podemos ter lucro de forma sustentável e oferecer para a sociedade aquilo que ela precisa e merece”, finaliza a gerente.

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